É de noite que o rio é triste,
Quando os mistérios das sombras
Se avolumam
E o murmúrio das pobres águas
Na escuridão
Lembra soluços em surdina
Por uma dor que não tem consolo.
À noite o rio é assustador
O desespero
Da torrente que passa
É o de todos os afogados,
Que parecem rolar
Para um abismo sem fim
Em um dia de escuro
Em que a noite
Não quisera ir embora,
Sentei-me à beira do rio
E olhando o reflexo
De um céu cor de chumbo
Tive medo de passar
Pela vida tal qual
Suas águas,
Sem as pessoas
Ao menos darem por isso.
Poema escrito por Armando José da Silva, mentor e amigo.
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